PALAVRAS NO BLOG
(11/03/2012)
I-19
As páginas em branco do seu blog esperam suas palavras,
esperam que ele diga o que sente.
Olhos ávidos aguardam a digitação.
A internet abre um espaço para mais uma página!
Mas...
(11/03/2012)
I-19
As páginas em branco do seu blog esperam suas palavras,
esperam que ele diga o que sente.
Olhos ávidos aguardam a digitação.
A internet abre um espaço para mais uma página!
Mas...
02/03/14
I-85
Um simples aceno,
puro ou obsceno,
fala muito mais
que palavras normais.
(13-12-13)
J-58
F rente a frente convosco, Senhor,
E u me sinto em falta,
L uto na ação social, no amor,
I nerte diante dos males do mundo,
Z eloso por mim, indiferente pelos outros.

2013
J-34
Etapa final de minha vida...
Lances finais de um jogo inacabável...
Caminho longo percorrido,
caminho curto ainda a percorrer...
Grandes montanhas facilmente vencidas...
Agora, pequenos montinhos à frente,
que terei dificuldade em transpor.
09/12/2014
J-143
“Isto é o meu Corpo,
Isto é o meu Sangue,
tomai todos, comei,
tomai todos, bebei”!
08/12/15-
J-242
Na festa da Imaculada Conceição
eu vos agradeço, meu Senhor,
os quarenta e dois anos de ordenação,
muitas lutas, decepções, mas muito amor.
Sou um simples eremita autônomo,
no trabalho e na contemplação,
alegria sem igual
de viver sempre em vossa unção.
Nada mais peço, Senhor Jesus,
que continuar filho de Maria,
abraçar a minha cruz,
sempre com amor e alegria!
2016
J-265
O tempo, implacável, caminha;
minhas rugas, teimosas, aumentam!”
A saúde, já um tanto fraquinha,
vê, inerte, que as dores se acrescentam.
Minha alma, ainda inteira,
nada sofreu com as primaveras!
Pelo contrário, ficou ainda mais faceira,
mais sóbria, mais santa, mais sincera.
Quantos anos ainda de vida?
Não quero nem saber!
Só sei que um dia vou morrer!
Mas quero buscar ternura e guarida
em Jesus, Senhor, em Maria, mãe querida,
no tempo que ainda vou viver.
08/12/16
J-344
Neste dia da Imaculada Conceição,
século vinte, setenta e três foi o ano,
recebi minha ordenação
como sacerdote diocesano.
As dores e alegrias até agora
foram acompanhadas por Maria,
os percalços e as tristezas foram embora,
só ficaram as graças e a alegria!
Tudo neste mundo passa,
em nada ponhamos o coração!
Pra quem confia em Deus tudo é graça,
que o diga a Imaculada Conceição!
Tudo a Jesus por Maria!
Sou todo vosso, Mãe querida!
Sois a causa de nossa alegria,
por vós, a Jesus consagrei minha vida!
2017
J-350
Setenta e dois anos de vida,
não pensei chegar a tanto!
Mas apesar da luta renhida
ainda não fiquei santo!
Anos de trevas, outros de luz,
de nada posso reclamar!
Tive sempre a presença de Jesus,
e Maria a me consolar.
O lusco-fusco que vivo agora
me lembra que é tempo de esperar;
minh'alma nem ri nem chora,
basta que eu possa sempre amar!
19/12/17
J-358
“Quando um profundo silêncio
a tudo envolvia,
no meio da noite escura”,
nascestes numa manjedoura,
entre palhas e animais,
num cocho de capim...
A única estrela no céu escuro
aos magos se mostrava,
enquanto luzentes Anjos
aos pastores cantavam:
“Glória a Deus nas alturas!
Paz na terra aos que Deus ama”!
Aos que Deus ama...
aos que Deus imita,
em sua real pobreza!
Deus imitou os pobres!
Deixou os ricos de lado!
Nasceu num cocho,
superou até os mais pobres,
que nascem numa cama!
Simples, com farrapos,
colchão velho,
mas numa cama!
Muitos vivem a vida
imitando os ricos,
vivendo com os menos pobres,
preferindo os abastados,
os melhores lugares,
os melhores banquetes,
as melhores posições!
Deus imitou os pobres,
deixou os ricos de lado,
enquanto imitamos os ricos,
deixando os pobres na sarjeta!
Enquanto negamos os pobres,
bajulamos os ricos!
Sede bem-vindo, Jesus,
amigo dos pobres,
dos esfaimados,
dos aleijados,
dos doentes,
dos estropiados,
dos leprosos,
dos que sofrem!
Perdoai se não vos seguimos!
Não queremos estar com os pobres,
com os que sofrem!
Queremos apenas paz,
sombra,
água fresca!
2019
J-369
Ainda vejo o sol nascer,
os pássaros me despertam,
o galo saúda o dia,
as estrelas desaparecem,
a lua se apaga sob o sol,
a esperança brilha.
Vejo, também,
aborrecido,
pessoas assassinadas,
a merenda escolar roubada,
doentes sem atendimento,
mendigos ao relento,
represas do lucro fácil desabando,
engolindo tudo pelo caminho.
Ainda no prazo de validade,
despreocupado com a vaidade,
aliás,
nada mais me preocupa.
Minha juventude se foi,
meus amigos se foram,
os meus artistas prediletos estão indo.
Não há mais Glostora,
não há mais enxuga-poças,
os velhos e bons discos de outrora
deram lugar aos frágeis CDs
(qualquer risquinho já era),
aos volúveis pendrives,
à tão incerta nuvem da Google...
Os discos dos anos 30,
da Casa Edson do Rio de Janeiro
ainda são audíveis,
mas os CDs do ano passado
não funcionam mais.
Nada mais é permanente,
tudo acaba de repente,
o lucro grita mais alto.
Coloco-me diante de Deus,
peço muito pelos meus,
pela minha conversão
e de toda a humanidade.
Minha única felicidade
é saber que Deus nos ama,
que nos quer felizes,
na eternidade...
2020
J-373
O barco ainda navega
por mar tranquilo,
às vezes tempestuoso,
às vezes furioso,
mas longe do asilo...