domingo, 23 de junho de 2013

POESIAS – COMEMORAÇÕES PESSOAIS 01

 

MEUS 68 ANOS

2013

J-34

Etapa final de minha vida...

Lances finais de um jogo inacabável...

Caminho longo percorrido,

caminho curto ainda a percorrer...

Grandes montanhas facilmente vencidas...

Agora, pequenos montinhos à frente,

que terei dificuldade em transpor.

 

Antes, empreendimentos mil conquistados,

Agora, algumas tarefas fáceis me amedrontam"

 

Vislumbro o céu azul,

não com tanta nitidez como antes!

Algumas nuvens passageiras...

correndo ligeiras...

"Elas vão e não mais voltam...",

como dizia o meu colega JPD,

em nossos dezoito anos...

 

Amigos já se foram...

Dos artistas de minha juventude,

só restam discos e CDs...

Alguns deles nem saíram dos LPs!

 

Aquele bairro, tão habitado,

era antes uma fazenda!

Gados, pastagens,

límpidos regatos...

que agora viraram esgotos!

O pasto cobriu-se de casas,

as árvores sumiram,

a poluição é total!

 

Minha vitrola ainda funciona!

Um setenta e oito rotações sobre o prato,

e uma voz, ao longe, anuncia:

"Flor do cafezal!

Gravado pela Casa Edson do Rio de Janeiro!"

Ouço a música,

os chiados,

os trancos da agulha,

os pulos de linha musical,

e sorrio satisfeito,

como se estivesse num festival,

ao lembrar-me do passado.

 

Com a velhice, como os gostos mudam!

Quase mais nada me empolga!

Nenhuma música,

nenhuma paisagem,

nenhuma cidade

(quem já viu uma viu todas),

nenhuma cara nova!

Tudo passa,

tudo muda,

tudo se esvai.

 

Que saudades do céu!

Que saudades de Deus!

E é só Ele que vejo à minha frente!

É só Ele que me importa,

ao vê-lo no pobre sofredor,

no doente abandonado,

no velho desamparado,

na humanidade tresloucada,

como precisa mudar!

 

Meu caminho já é escasso...

Tenho medo do fracasso...

Mas tenho muita confiança em Deus!

Percorri o meu caminho,

entre flores e espinhos,

caindo e levantando,

mais ou menos amando,

e agora,

a eternidade me sorri!

Já comecei a entrar nela!

Sou eremita consagrado,

nas mãos de Deus abandonado,

com Ele, não temo procelas...

 

Quantos anos ainda?

Dez, vinte, trinta?

Não importa!

Estou aqui!

Parei?

Venci?

Não sei!

Só Deus sabe!

A porta da esperança se abre,

há um pouco ainda a percorrer,

há um pouco ainda a vencer,

mas não me sinto preparado!

Meu Deus, me ajude a viver!

 

LÁ SE VÃO 40 ANOS...

08/12/2013

J-57

Quatro décadas se passaram.

centenas de sapatos de gastaram

ao pisarem este caminho

de tanta glória e carinho,

de avanços e retrocessos,

idas e regressos,

sínteses e divagações,

friezas e paixões,

gritos e sussurros,

liberdades e prisões,

lembranças e saudades.

 

Do passado de glórias,

apenas uma lembrança.

Do hoje de vitórias,

uma constante instância,

uma promessa de amor.

 

Senhor!

Como vos agradecer?

Como posso tecer,

nestas tão breves linhas,

elogios tão merecidos

às graças recebidas

no meu sacerdócio?

 

Como não lembrar,

em largas pinceladas,

as iniciativas tão ousadas

que me trouxeram tantas luzes

acompanhadas pelas cruzes?

 

É o quadragésimo ano,

sem festas, sem aplausos,

sem argumentos falsos,

que me levassem à alegria,

sem forçar os abraços,

que me dariam, nada mais,

que uma triste melancolia!

 

Ontem, sacerdote ativo.

Hoje, simples eremita,

da solidão cativo,

servo de Jesus Misericordioso,

não mais um tempo glorioso,

talvez um pouco de tempo gozoso,

mas, com certeza, um tempo contemplativo.

 

As glórias, as festas, os aplausos,

os jantares, as viagens, os percalços,

tudo isso, graças a Deus,

como fumaça,

se dissipou.

 

Agora, além das lembranças,

a paz de uma vida solitária,

prêmio da luta acirrada,

contra ódio e rancores,

calúnias de agressores,

uma ascese mitigada.

 

Plantei o pomar,

os frutos brotaram,

outras plantas nasceram,

agora se emanciparam,

não mais precisam de mim,

prefiro que seja assim!

 

As lágrimas que agora deslizam

pelas rugas de minha face,

não são de tristeza:

são de amor, de certeza, de louvor,

são de ação de graças.

Senhor meu Deus,

por nunca terdes me abandonado,

nem em um só momento,

neste ambiente malfadado,

de indiferença rodeado,

em que agora vivo.

 

Que será de mim?

Quanto ainda viverei?

Quanta coisa ainda farei?

Não sei. Não vou saber.

Apenas pelo uma coisa,

apenas uma coisa, Senhor, de verdade!

"Habitar em vossa casa,

por toda a eternidade!"(Sl 26).




ACRÓSTICO DE NATAL

(13-12-13)

J-58

F rente a frente convosco, Senhor,

E u me sinto em falta,

L uto na ação social, no amor,

I nerte diante dos males do mundo,

Z eloso por mim, indiferente pelos outros.

 

N as palhas do presépio me ensinais

A me encontrar convosco nos pobres,

T anto nos da matéria como nos do espírito,

A mpará-los, socorrê-los,

L evá-los a conhecer-vos, a amar-vos.

 

E nsinai-me, Senhor, a amar, a partilhar!

 

A o ver tanta miséria e tanta dor,

N utro no coração um grande amor,

O ro com ternura, peço-vos perdão.

 

N este mais um Natal em minha vida,

O uço as vozes dos que vos clamam,

V olto-me a vós e vos imploro:

O lhai por todos nós, Senhor,

e dai-nos a   vossa paz!



NO PRESÉPIO, NO SACRÁRIO

(13-12-13)

J-59

No presépio eu vos encontro, Senhor,

nas palhas da pobreza,

com José e com Maria.

No sacrário eu vos descubro, Senhor,

como pobre e abandonado,

na simplicidade da Eucaristia.

 

A paz que sinto diante de vós

é solitária e incompleta!

Sozinho, em meu pequeno quarto,

nesta noite tão maravilhosa,

Vejo à minha frente

milhões de empobrecidos,

de todos esquecidos,

famintos por um pedaço de pão!

 

O nó que na garganta eu tenho

só se desfaz quando eu me lembro

dos bens que prometestes aos que sofrem,

da paz que dais aos que lutam

 

Feliz Natal, Feliz ano novo.

 

Palavras vazias? Utópicos desejos?

 

Não. São desejos sinceros,

de quem ainda em vós confia,

de quem ainda convosco se encanta.

 

 

MEUS 69 ANOS

2014

J-95 

Parabéns para mim

nesta data querida!

Eu me vejo, enfim,

pertinho da partida!

 

Alegria e tristeza,

 tal como o arroz e o feijão

misturaram-se na mesa

do meu pobre coração.

 

Agora minha indiferença

com nada mais se mistura;

só curto em mim a crença

de manter minha alma pura.

 

Aos setenta me encaminho

com muito amor e alegria

sempre junto do carinho

de Jesus e de Maria!

 

41 ANOS PADRE!

08/12/14

J-142

Nestes quarenta e um anos

de vida sacerdotal

eu não quero ser livre, Senhor!

Eu quero ser vosso escravo!

Eu não quero me enfarar

com o alimento perecível!

Eu quero me alimentar

de vós, ó Senhor!

 

Eu não quero a solidão, Senhor!

Eu quero a amplidão

de vossa companhia!

Eu não quero mais nada, Senhor!

A não ser ficar, silente,

 a vossos pés!

Sem vós estou carente!

Amai-me, Senhor!

Dominai-me!

Tende compaixão de mim!

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